Ejud2 promove curso sobre Capacitação em Ações contra a Violência Doméstica
A formação abordou aspectos históricos, estruturais e institucionais da violência de gênero e destacou a importância do acolhimento humanizado às vítimas.

Foi realizado nesta terça-feira (3) o curso Capacitação em Ações contra a Violência Doméstica, promovido pela Escola Judicial, em parceria com a Secretaria de Segurança Institucional do TRT-2. O evento ocorreu de forma presencial, integrando o programa Laços de Proteção, com transmissão simultânea pelo YouTube.
Ministrado pela promotora de Justiça Juliana Mendonça Gentil Tocunduva, que atua na Casa da Mulher Brasileira desde 2019, o curso teve início com o questionamento: “O que está acontecendo na nossa sociedade para colocar as mulheres nessas situações?”. A palestrante apresentou casos concretos e alertou que o 8 de março não pode ser romantizado, pois, apesar dos avanços, os riscos de retrocesso permanecem e exigem mobilização constante, inclusive com a participação ativa dos homens.
Durante a exposição, Juliana destacou que as mulheres se encontram em situação de vulnerabilidade em razão de uma estrutura histórica que as associa ao cuidado e ao espaço privado, enquanto os homens são vinculados ao poder e ao espaço público. Ressaltou que o problema não está na divisão de papéis, mas na valorização desigual entre eles, citando Heleieth Saffioti ao afirmar que a violência de gênero decorre de uma organização social que privilegia o masculino. Também relembrou que, até 1916, o marido podia aplicar castigos físicos na esposa e que avanços legislativos importantes ocorreram apenas nas últimas décadas, como a Lei Maria da Penha (2006) e a tipificação da importunação sexual (2018).
Ao tratar do atendimento às vítimas, enfatizou que o acolhimento deve transmitir segurança, respeito e escuta qualificada, garantindo privacidade e evitando qualquer tipo de julgamento. Destacou ainda que o fortalecimento da mulher passa pelo reconhecimento de seus direitos e que os profissionais indicam caminhos, mas a decisão cabe exclusivamente à mulher, inclusive quando ela opta por não buscar ajuda naquele momento. O curso foi encerrado com esclarecimento de dúvidas do público.
Texto: Melissa Albuquerque
Revisão:Mirella Sá


